Endividamento financeiro e cobertura de juros: os dois números que dizem se a dívida da empresa está sob controle
Toda PME que financia parte da operação com dívida carrega dois riscos diferentes, e raramente eles aparecem separados. Quanto da dívida bancária pesa em relação ao capital próprio da empresa, e quanto do lucro operacional é consumido só para pagar juros. Dois indicadores respondem a essas perguntas, e nenhum dos dois exige sistema caro ou departamento financeiro estruturado para ser calculado.
O índice de endividamento financeiro mede a dívida bancária em relação ao capital próprio. Soma-se empréstimos, financiamentos e duplicatas descontadas junto a bancos, e divide-se pelo patrimônio líquido da empresa. Um resultado de 1,0 significa que a dívida bancária equivale exatamente ao patrimônio dos sócios. Esse índice olha só para a dívida bancária, e não deve ser confundido com o endividamento geral, que soma todas as obrigações da empresa, incluindo fornecedores, salários e tributos.
O índice de cobertura de juros divide o lucro antes de juros e impostos (EBIT, sigla em inglês para Earnings Before Interest and Taxes) pelas despesas financeiras do período. Analistas de crédito costumam tratar valores abaixo de 1,5 como sinal de alerta: a operação fica perto do limite em que uma queda de faturamento compromete o pagamento dos juros, antes mesmo de pensar em quitar o principal da dívida.
Os dois números se complementam. Uma empresa pode ter endividamento financeiro moderado e, mesmo assim, cobertura de juros apertada, quando boa parte da dívida está concentrada em linhas de curto prazo com taxa mais alta, hoje ancoradas pela Selic em 14,25% ao ano segundo o Banco Central. Calcular os dois indicadores a cada trimestre, a partir do balancete e da demonstração de resultado, já é suficiente para acompanhar a tendência. O que importa não é o valor isolado em um único mês, e sim se a trajetória está se afastando ou se aproximando da zona de desconforto.
Fonte: Banco Central do Brasil, Ata da 279ª Reunião do Copom (17/06/2026), para a taxa Selic de 14,25% ao ano: https://www.bcb.gov.br/content/copom/atascopom/Copom279-not20260617279.pdf


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